Rotina com outros bebês – primos trigêmeos

Adoro levar o Théo para brincar com outras crianças, principalmente se são da mesma idade.

Ele tem priminhos trigêmeos, com 4 meses de diferença só… aí fica tão bom para brincarem. E o Théo tem gostado bastante, por que até o momento ele só convivia com primos de idades diferentes, e esse contato com os primos está coisa mais fofa do mundo.

Por toda situação desde que o Théo nasceu, posso dizer que ele ficou sim um pouco mimado… em vários sentidos. Agora já aprendeu a compartilhar os brinquedos, a reconhecer outras crianças pelos nomes, a dar ‘oi, beijo, tchau’, está tentando dizer vários nomes… Só não aprendeu ainda a compartilhar a mãe dele com os amigos, hehehe! Esse meu filho é um gruuuuuuude meu, não pode me ver perto de outros bebês que fica doidinho, chora, grita, se joga no chão. Mas tento não dar bola, acho que nesses quase 2 anos em casa com ele, deixou ele mega apegado à mim. Eu amo, né, mas tem momentos que acho que ele deve se soltar mais.

Aos poucos vamos ajustando, e acho que não demora muito ele vai começar a ir na escolinhaaaaaa, eba!

Meu grude!

Meu grude!

3 meses após a palatoplastia

Voltando um pouco no tempo para contar de mais uma batalha vencida do Théo.

Passados 3 meses da palatoplastia, cirurgia corretiva da fenda palatina, fomos na reconsulta com nosso querido Dr. Collares – sempre me dá um nervosismo quando temos que ir lá, mas ele é tão atencioso e confiante, que sempre saímos de lá com sentimento de missão cumprida. Várias dúvidas sobre a evolução do Théo e o tratamento, mas vamos por parte:

- palato 100% – foi com imensa alegria que escutei isso do médico, palato do Théo lindo, perfeito, sem nenhuma fenda ou alteração que precisasse nos preocupar. A garganta dele estava normal, assim como o ‘sininho’ dele que antes era dividido ao meio, e agora está normal.

- dentição – bom, aí não tinha muitas mudanças. O Théo até aquele momento já tinha vários dentes na parte da frente da boca, e de um lado. Do lado que ele tinha a fenda no palato, não tinha nem sinal de dentes. Isso me preocupava, pois me parecia que ali não haviam dentes, mas o cirurgião me acalmou dizendo que isso é dos males o menor, dentes são mais fáceis de corrigir e esse não era um assunto que eu deveria me preocupar naquele momento. Tudo ao seu tempo.

- fala – essa sim foi uma grande notícia. Ele pediu que o Théo falasse algumas palavras, para que ele avaliasse se tinha alguma alteração sonora… Todas palavras com ‘p’, pois é um som difícil para quem pode ficar com a voz mais anasalada. Foi quando ele falou ‘papai’, ‘pé’ e mais algumas outras palavras, super bem e bem certinho. Ou seja, ESTAMOS LIBERADOS DA FONO! Iupiiiiiii!

Sem médicos pelos próximos meses (a não ser o otorrino, que ele tinha avaliação a cada 2 meses para verificação do dreno). Coisa mais linda da mamãe :)

Meu queridão faceiro aguardando pelo médico.

Meu queridão faceiro aguardando pelo médico.

Mãe sempre atenta

Bom dia 2015 :D

Estava eu aqui acordando, e pensando, que mãe não descansa, né, vive 24 horas preocupada com o filhotinho. Aí me lembrei, que mesmo depois de já ter passado pelas duas cirurgias (queiloplastia e palatoplastia) eu ainda perdia hooooooras preocupada com ‘os próximos passos’ do meu fissurado. E duvido qual mãe não faz igualzinho à doida aqui.

fissurado pela mãe - meu principe

O que eu queria contar hoje mesmo, é que, depois de liberado do pós operatório da palatoplastia, que foi a última cirurgia dele, eu levei em todas os médicos que sempre acompanhavam ele, para uma revisão. Na verdade, o cirurgião sempre me falava que não tinha necessidade alguma, pois ele via o Théo super bem, mas eu sempre preferi zerar minhas dúvidas. Levei na gastro, levei na nutróloga e o mais importante, fui conversar com a fonoaudióloga. Ele não precisou fazer mais nenhum acompanhamento semanal com a fono, mas ela me deu dicas preciosas para que eu pudesse ajudar o Théo a ter a fala e alimentação melhor possível.

Primeira preocupação: depois da cirurgia, a alimentação dele se desregulou completamente, ele não queria comer mais nada, tinha receio de tudo que fossemos colocar na boca dele. Passamos acho que 2 horas falando com a fono, e ela nos dando uma série de dicas para estimular a alimentação saudável que ele sempre teve e eu sempre prezei muito. Importante falar que ele não tinha mais nenhum problema de saúde, e sim manias do pós operatório, afinal, 30 dias é bastante para um bebê de 1 ano. Uma das dicas que considerei mais valiosa foi: os pais são o exemplo dos filhos. Em resumo, eu e o pai começávamos a comer, e esperávamos que isto despertasse nele a vontade de ‘nos imitar’. E o legal é dizer, que nessa fase do Théo, ele já notava muito do que a gente comia e queria comer a mesma coisa que nós, então não adianta oferecer uma cenoura para ele e comer batata frita ao lado. E aos poucos, ele foi voltando a alimentação normal (isso foi bem demorado, meses levaram, mas não desista).

Segunda preocupação: a fala. A fala na vida dos fissurados, é um dos itens que mais preocupa os pais, pois gera uma série de pensamentos futuros, como preconceito que ele possa passar. A fono como sempre me ajudou com várias dicas, super simples, sem mistério algum: bastante conversa com ele, bastante estímulo para conversar, bastante coisas para ele sugar e alimentos de várias texturas para sempre estimular o paladar dele, e fortalecer os músculos da boca. E uma dica bem legal que tentei desde cedo: dar bebidas no copo com canudinho para ele sugar. Demorou meseeeeees para ele aprender, mas hoje, me dá o maior orgulho ver ele sugando no canudinho. É super difícil para quem nasceu com fenda lábio palatina sugar assim, pois é preciso fechar bem a boca e fazer grandeeeee força de sucção. E já li bastante que o tal do canudinho ajuda bastante na fala.

RESULTADO DISSO TUDO: fomos na consulta de 1 ano e meio no cirurgião, e ele liberou o Théo, ou seja, NÃO PRECISA FAZER ACOMPANHAMENTO COM A FONO, POIS A VOZ DELE ESTÁ ÓTIMA, SEM NENHUMA ALTERAÇÃO, SEM ESTAR ANASALADA.

Não tem coisa melhor, né? Meu filho indo no caminho certo :)

Ninguém disse que seria fácil

Eu já escutei essa frase váriassssss vezes, mas nunca me amedrontei. A maternidade em si, eu já tinha certeza de que não seria fácil, mas que sim, o peso das alegrias é muito maior. Aí quando se tem um filho fissurado e ainda por cima com APLV, esses MEDOS e DIFICULDADES se multiplicam por 1000. Ou mais até. Muito mais cuidados, muito mais atenção, muitos médicos, muitos exames, muito tudo.

E superei isto com êxito. E hoje tenho um menino lindo e super saudável.

Fissurado pela mãe - Meu Théo

Mas eu vim aqui dizer, que esses medos todos do início da vida do Théo, mexeram muito com a minha cabeça, e eu passei por crises de ansiedade e pânico bem severas. Hoje, quase 100% superadas. Eu nunca quis abandonar o blog, só não queria passar essa fase ruim para essas pessoas tão legais que vem até aqui ler a nossa história.

Então, é isso gente, não abandonei, e não irei. Não iremos!

HOJE, VOLTEI!  Beijo nosso para vocês :*

Fissurado pela mãe - Nosso beijo para vocês

Nossas dicas para quem vai passar pela queiloplastia ou palatoplastia

De vez em quando aparecem mães para falar comigo, pedindo ‘alguma luz’ pois seu baby vai passar por alguma das cirurgias reparadoras, queiloplastia ou palatoplastia. Eu confesso, adoro poder ajudar, me sinto orgulhosa disso, pois já passamos e estamos hoje aqui fortes para contar. Hoje eu resolvi resumir aqui em um post para ficar sempre disponível.

Primeiro queria dizer, que é megaaaa normal as mães ficarem nervosas, não se culpem por isso, eu já disse várias vezes que mãe pode ser fraca sim, somos humanas, poxa!

Eu sempre aconselho às mamães a deixarem os bebês o mais isolado possível, alguns dias antes das cirurgias. Eu mesma fiz isso, fiquei com o Théo em casa por umas 2 ou 3 semanas antes do procedimento, para evitar de pegar trocas de temperatura, viroses e outras doenças que pudessem atrapalhar os planos do cirurgião. Além disso, todos que entravam dentro da minha casa, inclusive eu, pedia que fizessem uma higiene nas mãos para evitar de passar algo para o Théo. Pode parecer meio chato, mas eu fazia mesmo, por conselhos da pediatra até, pois assim eu deixei ele bem forte mesmo para o dia da cirurgia.

Bom, chegando no dia da cirurgia, FIQUEM TRANQUILOS PAPAIS, mesmo! Quanto mais calmos ficarem diante do baby, mais calmo ele mesmo irá ficar, não se desesperem… Eu sei muito bem do que estou falando, pois já passei por dois procedimentos com o Théo, eu sempre confiei muito nos médicos e enfermeiros que nos acompanhavam, então, se eles me diziam que era NORMAL ele demorar para acordar da cirurgia, eu fica tranquila. Se me diziam que era NORMAL ele ficar mole e sonolento, eu acreditava. Normal ficar sem mamar nas primeiras horas, talvez dias, eu acreditava… E por aí vai, sempre tirem suas dúvidas com os profissionais, mas fiquem tranquilos e passem tranquilidade para o filhote, isso faz MUITA diferença. Pensa, o Théo ficou sem mamar por 3 dias depois da queiloplastia, e depois, com muita persistência nossa, ele voltou a mamar! :)

Sobre a alimentação: eu tentei de várias formas, tanto na primeira quanto na segunda cirurgia. A seringa nunca funcionou conosco, então fui tentando de outras formas, mas o mais importante era persistir. Como diz a nossa pediatra: INSISTA, PERSISTA E NÃO DESISTA! De alguma forma ele vai se adaptar para mamar. Nós tentamos com a mamadeira de colher na ponta, muitas mamães tem sucesso com isso, o Théo não gostou. Nós usamos o próprio bico da mamadeira dele, aquele especial para lábio leporino que eu mostrei em outro post (clica aqui), e eu ia apertando lentamente para que fizesse alguns mini jatos de leite na boquinha dele, e assim ia mamando. Na segunda cirurgia, ele preferiu com um copo mesmo, eu usei um da Avent que ele amou, e usa até hoje (clica aqui para ver qual eu falo).

Quanto às talas, infelizmente, eu digo que tem que usar sim! Claro que, na palatoplastia eu liberei ele um pouco mais para ficar sem, nos momentos que eu estava 100% de olho nele, até por que os pontos eram internos, então o perigo de machucar diminui. Mas eu fazia isso só quando eu estava cuidando mesmo. Na queiloplastia sim, eu deixei quase 100% do tempo de tala, me doía muito ver ele sem mexer os bracinhos, mas é necessário, né, gente? Temos que pensar que eles precisam disso para evitar de se machucar!

No mais, posso dizer que os bebês ficam sim, muito chateados nos primeiros dias, mas deem muito amor e carinho, tudo volta ao normal, podem ter certeza! E boa sorte!

Um olhar torto

Acho que não é por mal, mas tem pessoas que fazem comentários desnecessários.

Esses dias, estava eu passeando com meu filho, e eis que um senhor começa a brincar com o Théo, até que o olhar dele mudou. E surgiu a pergunta: ‘Nossa mãe, o que houve com a boca dele? Ele caiu? Nossa, levou até pontos… Deve ter se machucado feio.’

Eu respondi com muita educação dizendo que ele havia nascido com fenda lábio palatina, ou mais comumente chamado de lábio leporino. E ele mal respondeu de volta, e saiu andando com o olhar torto.

E eu pensei… O que passou na cabeça dele, né? Que eu era uma mãe desatenta, que de repente deixei ele se acidentar? Ou depois, que eu devo ter feito algo para que meu filho nascesse com problema que teve?

Bom, eu procuro não levar esses meus pensamentos muito adiante, acho que não fortalece, e não nos ajuda. Mas eu realmente gostaria que meu filho, que não tem ainda capacidade de raciocínio de adultos, passasse por esses olhares tortos. Acho que a pessoa se importar e falar coisas positivas, é super legal, agora um olhar diferente, que faz se sentir mal… Isso não precisava.

Pronto, desabafei aqui.

Sou um fissurado – o outro lado da história

E como a vida é vista por um fissurado? Nós, mães, sabemos o que passamos, o que sentimos… Mas e quem está realmente sendo um fissurado? O que sente? Hoje, aqui, um relato muito verdadeiro e real, sobre como é ser fissurado e um pouco do caminho até hoje, a história do Hugo – filhote da Eunice, que falamos aqui no blog essa semana.

É, sou um fissurado nascido com um Dom que Deus me ofereceu.

Ser um fissurado é algo diferente em todos os sentidos. Você já nasce praticamente na sala de cirurgia (só fiz 11 até hoje…), sendo a primeira com 3 meses. Imagino como é uma situação diferente para os pais de um fissurado viverem esse momento. E é por isso que venho por meio deste, tentar abrir as mentes dos pais a respeito da real atenção e “tratamento” não apenas para com seus filhos fissurados, mas principalmente com os filhos fissurados de outros pais.

Hoje estou com 30 anos, sou filho de pais separados, noivo à 4 anos e moro em Curitiba à 7. Sou nascido em Brasília-DF.

Minha infância foi normal. Cresci sendo educado e criado por uma mãe que me ensinou e sei que aprendeu junto comigo o que é viver.

Ela jamais me tratou como um doente, um coitado e etc como muitos, e digo MUITOS pais o fazem. Tratam eles como “coitadinhos”, “eles são doentes”… entre outros adjetivos. Quando na verdade são apenas crianças que devem conhecer o respeito e a educação como qualquer outra.

Eu nunca fui “Flor que se cheire”, rsrsrs, e minha mãe mesmo concorda, e aprontei bastante. BASTANTE MESMO. E fui também bastante corrigido. Hoje dou graças a Deus por ter tomado cada cintada que ela me deu. Foram elas o último recurso para que eu aprendesse. E sei que doía mais nela do que em mim.

Sempre tive muito amor, muito mesmo. Fui ensinado a respeitar, e ser educado e a não me rebaixar perante aos que não me consideravam “normal”. Minha mãe me ensinou.

Confesso que existe um período em nossas vidas que é bem complicado: A adolescência. Quando passamos a ter outros interesses, queremos nos “mostrar”, nos adaptar aos outros (sim, somos nós que acabamos nos adaptando aos outros) e querendo uma vida “normal”. Namorar, sair, se divertir e etc…

É complicado.

Primeiro por quê as pessoas não te olham como alguém e sim como “O que é isso?!”, segundo por termos uma cicatriz devido nossas cirurgias e terceiro por não termos uma dicção, ainda que boa, normal.

Venho de uma época em que não existia o “termo pop” Bullying. Era sacanagem mesmo, gozação das brabas. E simplesmente por sermos diferentes e essas pessoas serem ignorantes.

Nós, fissurados, ou pelo menos eu, nunca ouvi quando falo minha verdadeira voz. Ou melhor, as pessoas não a escutam. Para mim, ela sai como eu escuto as outras vozes – me recordo até hoje a primeira vez que, brincando com um gravador, voltei várias vezes a fita achando que tinha algo errado, quando na verdade, aquela era a minha voz. Mas não é isso o que acontece. Mesmo tendo feito fonoaudiologia, sei que ela hoje é menos fanha do que no passado, e dizem que tenho uma boa dicção hoje.

Então você imagina como deve ser falar algo que você quer, e as pessoas não entenderem. É irritante, frustrante.

Graças a Deus isso foi superado.

Ainda hoje noto certas pessoas que não entendem algo que digo, mas não me incomoda. Repito sem ter a raiva que já tive.

Comprovei que o fissurado é preconceituoso com ele mesmo. E quando passa a não entender o porquê não é bem visto, o porquê não entendem o que ele fala, é rejeitado por colegas de escola e até mesmo por suas “paixões adolescentes”, isso nos transtorna. É muito ruim ver, saber e se sentir rejeitado. E isso não é desculpa para se diminuir perante esses ignorantes.

Eu mesmo consegui enxergar o quão diferente é na verdade aquele que te rejeita. E não você, fissurado.

Em meu tratamento no Centrinho pude ver que nossa situação é na verdade algo que nos fazem melhores. Que existem “problemas” e pessoas com situações e vidas bem mais complicadas que a nossa. E que mesmo vivendo assim, essas mesmas pessoas vivem alegres, sorridentes e com uma luz e energia que te fazem ver o quão ridículo é quem se deixa abater por causa dos outros.

Por isso hoje, sempre que conheço alguém com filho fissurado, sempre procuro ajudar, aconselhar e indicar os meios necessários para que esse ser de luz possa ter uma boa vida. Quando estou no Centrinho e consigo acesso às enfermarias onde ficam os recém operados, gosto de falar com eles e mostrar que eles não tem mesmo o porquê de se revoltarem e se entristecerem por serem “diferentes” de seus colegas. Na verdade somos melhores que eles.

E é isso que falta muito para os fissurados: Apoio.

A Fenda Lábio Palatal, não é uma doença. Apenas uma má formação congênita. E por isso ela ainda assusta muita gente que não a conhece.

Não existem “Criança Esperança” e nem “Tele-Tons” que falem de nós.

Então de fato, o nosso maior problema hoje é a ignorância que encontramos no dia a dia.

Eu mesmo já perdi emprego em uma entrevista por que acharam que eu era uma pessoa violenta, por causa da minha cicatriz e meu nariz torto. E sempre há aquelas perguntas: “Você caiu?”, “Foi acidente”, “Foi briga?”, e as mães também não escapam delas. Os “mais antigos” acreditavam que nós nascemos assim por elas terem usado ou colocado uma chave no pescoço. Essa é hilária.

Espero mesmo que minhas palavras possam ajudar e a abrir as mentes de várias pessoas. Essa página/blog é algo que me faz acreditar ainda mais no crescimento e na evolução do ser humano. A atitude da Priscila é de uma importância que ela não sabe ainda o tamanho, mas que com certeza ela irá.

Fiquem com Deus e muito obrigado pela atenção.

Até breve…

Hugo Ramon Felinto Cândido.

Fissurado pela Mãe - Hugo

Ser mãe de fissurado

Ter um filho fissurado é ser escolhida para cuidar e ajudar uma pessoa a seguir um caminho com mais auto estima, a superar um problema que não é apenas físico, mas que envolve e muito o psicológico. Ele não possui nenhuma deficiência e isso tem que ser reforçado, mas se sente diferente dos outros por possuir uma cicatriz e a fala ser um pouco diferente dos outros e por incrível que pareça ninguém quer ser diferente, principalmente na adolescência, querem ser igual aos outros e aí, buscamos em Deus a melhor maneira de mostrar tudo de bom que este ser já possui para ser feliz. Que a única limitação que ele pode possuir está dentro dele e deve ser superada e olhada como mais um aprendizado na estrada da vida. Que ele pode tudo e basta querer e seguir em frente com amor e fé. Nunca tratar como um coitadinho, pois ele é igual a qualquer pessoa, e deve ser preparado para o mundo.

É uma tarefa difícil, mas compensatória, uma trajetória de muitas vitórias a cada degrau e eu que tenho hoje um filho aos trinta anos de idade e que já passou por muitas coisas, agradeço a Deus e ao Centrinho-Bauru, todo o apoio que precisei. O Centrinho não é apenas um hospital que trata de fissurados, é um lugar que trata o paciente em todos os detalhes, em que se está nas mãos de mestres e não apenas médicos e que acima de tudo trata de nossos filhos como seres humanos e de nós como mães que nos angustiamos, sofremos, ficamos inseguras e com o coração pequenininho a cada vez que nossos filhos entram num centro cirúrgico. Eles são profissionais que entendem os sentimentos e respeitam cada limitação a que possuímos e oferecem um tratamento completo acompanhando todo o desenvolvimento físico e psicológico que essa criança vai passar. Por isso agradeço a Deus a existência do Centrinho e o presente que recebi ao ter esse filho tão maravilhoso fazendo parte de minha vida e com quem eu também aprendi e cresci como ser humano.

Eunice Felinto Nascimento, mãe do Hugo.

Fissurado pela Mãe - Hugo

A história da Suellen, e seus gêmeos João e Pedro

Que história incrível temos para  contar hoje, Suellen, parabéns pela luta!

“Eu trabalhava em uma loja de calçados todos os dias, era final de ano, e comecei a sentir muita dor nas costas. Fui procurar um médico do posto de saúde, ele me olhou e disse que eu estava grávida! Na hora eu falei ‘não’, pois estava tomando anti-concepcional e o remédio da tireoide.  Fiz o teste de gravidez, e positivo, estava grávida! Beleza, 3 filhos, vamos criar… comecei a fazer o pré-natal e já estava com 3 meses de gestação quando fiz o ultrassom. ‘É um menino’, meu sonho realizado! Quando olhei para o médico, ele estava em silêncio, meu marido perguntou o que era aquilo que estava aparecendo, e com  uma gargalhada o Dr. respondeu que era a cabeça do segundo filho. Levantei na hora, num susto. Saímos da sala, chorei muito, 4 filhos, meu Deus, não dou conta das 2 que tenho…

A gravidez foi indo bem e decidimos que o nome dos dois meninos seriam João e Pedro, sempre sonhamos em ter um ‘João Pedro’. Quando estava com 7 meses não conseguia comer mais nada, e já havia tomado aquela injeção para maturar os pulmões dos bebês caso eles nascessem fora da hora. Não inchei nada, não passei mal e fomos até o final com a gestação, 9 meses completos dia 14/07/2012.

Na hora do parto meu marido foi assistir, não sabíamos que o João era fissurado e foi um susto na hora do nascimento. Minha pressão caiu muito e passei mal, então fui dopada pois já estava vomitando. Não vi quase nada, quando acordei ainda na sala de cirurgia, olhei para o lado e meu marido não estava lá… O médico veio na sala e me falou que o João nasceu com um probleminha, ele é fissurado, mas é lindo! Quando fui para o quarto estava minha família completa, parecia até velório, pensei. O pediatra apareceu e perguntou se eu queria ver o João, e eu respondi CLARO. Primeiro vi o Pedro, e depois o João. Me explicaram que ele não mamaria no peito, e sim no copinho, e já me informaram sobre o Centrinho, que é o maior hospital que cuida destes casos e vão pedir para alguém de lá vir avaliar o  bebê antes de fazer qualquer coisa.

Ele chorou e levaram ele embora, todos se despediram e eu fiquei com a minha mãe. No dia seguinte quando acordei vieram com Pedro para mamar e trouxe o João para ficar comigo um pouco, ele começou a chorar e levaram ele de volta. Fui atrás, dei o Pedro para a minha mãe mas me proibiram de entrar no berçário, sentei na entrada e comecei a chorar, eu queria dar de mama para ele… as enfermeiras tentando me tirar dali, ligaram para o meu médico e para pediatra vir. Quando os dois chegaram no quarto eu falei que queria dar mamar para ele, então os dois chegaram ao bom senso que eu ia entrar no berçário e aprender amamentá-lo, a enfermeira me ensinou, e foi muito bom. Me ensinou a tirar o meu leite para dar para ele no copo de café, e depois na xuquinha especial.

Tive que esperar uns dias para registrar e mandar a ficha dele para o Centrinho, ele tinha consulta marcada para dois dias depois. Fui para casa com os dois, uma garrafa térmica e leite em pó, e vários copinhos de café na bolsa… no dia marcado, fomos para o Centrinho, na primeira consulta muitas dúvidas e eles nos disseram ‘mãe, ele pode ser todo mais também pode ser nada pode ficar só deitado como pode andar e ser normal’. Ai, que sofrimento, mas vi aquelas crianças e vi que o João não tinha nada em relação aquelas crianças. E eu sempre tirei muitas fotos deles, quero que quando eles crescerem vejam como nasceram, e que o João veja que as dificuldades da vida não são nada em relação a tudo que ele já passou.

Com 2 meses sem ganhar peso, ele bronco aspirou, a febre foi a 40 graus, saí correndo para o hospital num domingo, e diagnosticaram pneumonia. Ali ficamos uma semana, no sábado fomos para casa e ele tomando vários complementos. E nada de engordar, trocamos o leite, para um mais caro, que ganhei na prefeitura, até os 6 meses o tomou este suplemento, mesmo depois da cirurgia aos 4 meses.

Tudo correu bem durante a cirurgia, com o Dr. Eudes de Sá. Só que ele ficou com o nariz muito baixo e não conseguia respirar direito, então colocaram o modelador nasal, saímos 2 dias depois do hospital, até ele tirar o modelador com um espirro. Depois, foram só vitórias, ele começou a engatinhar, choramos a cada minuto com as primeiras arrastadas, e em um belo dia ele soltou a minha mão e desceu do colo indo para o chão. Se levantou na cadeira e saiu andando, outra vitória.

A segunda cirurgia foi marcada, mas ele ficou gripado no dia, e marcamos de novo, e ele gripou uma semana antes. Agora, remarcaram para dia 28 de abril, estamos fazendo de tudo para ele não gripar. Hoje ele anda, corre, come sozinho com a colher, mama no copinho e está saindo da fralda. Fala algumas coisas já, ele é o nosso menino mais arteiro, Pedro é todo calmo e o João faz muitas artes… É minha superação, olho para ele e vejo que não temos problema nenhum.”

Fissurado pela Mãe - João e Suellen

Dica Fissurado – como alimentar o bebê após a palatoplastia?

Hoje eu venho aqui contar sobre um item que tem nos ajudado muito aqui em casa.

Depois da palatoplastia, a famosa cirurgia para correção da fenda no palato, o Théo não poderia utilizar nenhum tipo de mamadeira. Pois bem, aí começou a surgir várias preocupações, afinal, como eu iria alimentar ele? Fui para o maravilhoso mundo da internet, e descobri algumas alternativas que poderiam ajudar. Uma delas, foi a descoberta deste produto, que com toda certeza posso indicar: o copo 360º da Avent – Phillips.

Quais os pontos legais desse copo:

- sai uma quantidade boa de líquido, nem muito e nem pouco;

- tem uma tampa dosadora;

- se bem fechado, não vaza;

- e o melhor de tudo – ele não precisa sugar para sair o líquido. Quando o baby encosta a boquinha, a tampinha de silicone libera o líquido, ou seja, o líquido sai livremente sem que o bebê sugue absolutamente nada.

Que maravilhaaaaaaaa! Nos primeiros dias ele não curtiu muito por que a boca estava machucadinha, mas depois da primeira semana, esse copo tem salvado meus dias. Na verdade, eu comprei ele antes da cirurgia para já ir treinando, e ele se familiarizando com o copo, e não é que deu certo?

#SuperIndico #DicaFissurado

Fissurado pela Mãe - copo avent 360