3 meses após a palatoplastia

Voltando um pouco no tempo para contar de mais uma batalha vencida do Théo.

Passados 3 meses da palatoplastia, cirurgia corretiva da fenda palatina, fomos na reconsulta com nosso querido Dr. Collares – sempre me dá um nervosismo quando temos que ir lá, mas ele é tão atencioso e confiante, que sempre saímos de lá com sentimento de missão cumprida. Várias dúvidas sobre a evolução do Théo e o tratamento, mas vamos por parte:

- palato 100% – foi com imensa alegria que escutei isso do médico, palato do Théo lindo, perfeito, sem nenhuma fenda ou alteração que precisasse nos preocupar. A garganta dele estava normal, assim como o ‘sininho’ dele que antes era dividido ao meio, e agora está normal.

- dentição – bom, aí não tinha muitas mudanças. O Théo até aquele momento já tinha vários dentes na parte da frente da boca, e de um lado. Do lado que ele tinha a fenda no palato, não tinha nem sinal de dentes. Isso me preocupava, pois me parecia que ali não haviam dentes, mas o cirurgião me acalmou dizendo que isso é dos males o menor, dentes são mais fáceis de corrigir e esse não era um assunto que eu deveria me preocupar naquele momento. Tudo ao seu tempo.

- fala – essa sim foi uma grande notícia. Ele pediu que o Théo falasse algumas palavras, para que ele avaliasse se tinha alguma alteração sonora… Todas palavras com ‘p’, pois é um som difícil para quem pode ficar com a voz mais anasalada. Foi quando ele falou ‘papai’, ‘pé’ e mais algumas outras palavras, super bem e bem certinho. Ou seja, ESTAMOS LIBERADOS DA FONO! Iupiiiiiii!

Sem médicos pelos próximos meses (a não ser o otorrino, que ele tinha avaliação a cada 2 meses para verificação do dreno). Coisa mais linda da mamãe :)

Meu queridão faceiro aguardando pelo médico.

Meu queridão faceiro aguardando pelo médico.

Mãe sempre atenta

Bom dia 2015 :D

Estava eu aqui acordando, e pensando, que mãe não descansa, né, vive 24 horas preocupada com o filhotinho. Aí me lembrei, que mesmo depois de já ter passado pelas duas cirurgias (queiloplastia e palatoplastia) eu ainda perdia hooooooras preocupada com ‘os próximos passos’ do meu fissurado. E duvido qual mãe não faz igualzinho à doida aqui.

fissurado pela mãe - meu principe

O que eu queria contar hoje mesmo, é que, depois de liberado do pós operatório da palatoplastia, que foi a última cirurgia dele, eu levei em todas os médicos que sempre acompanhavam ele, para uma revisão. Na verdade, o cirurgião sempre me falava que não tinha necessidade alguma, pois ele via o Théo super bem, mas eu sempre preferi zerar minhas dúvidas. Levei na gastro, levei na nutróloga e o mais importante, fui conversar com a fonoaudióloga. Ele não precisou fazer mais nenhum acompanhamento semanal com a fono, mas ela me deu dicas preciosas para que eu pudesse ajudar o Théo a ter a fala e alimentação melhor possível.

Primeira preocupação: depois da cirurgia, a alimentação dele se desregulou completamente, ele não queria comer mais nada, tinha receio de tudo que fossemos colocar na boca dele. Passamos acho que 2 horas falando com a fono, e ela nos dando uma série de dicas para estimular a alimentação saudável que ele sempre teve e eu sempre prezei muito. Importante falar que ele não tinha mais nenhum problema de saúde, e sim manias do pós operatório, afinal, 30 dias é bastante para um bebê de 1 ano. Uma das dicas que considerei mais valiosa foi: os pais são o exemplo dos filhos. Em resumo, eu e o pai começávamos a comer, e esperávamos que isto despertasse nele a vontade de ‘nos imitar’. E o legal é dizer, que nessa fase do Théo, ele já notava muito do que a gente comia e queria comer a mesma coisa que nós, então não adianta oferecer uma cenoura para ele e comer batata frita ao lado. E aos poucos, ele foi voltando a alimentação normal (isso foi bem demorado, meses levaram, mas não desista).

Segunda preocupação: a fala. A fala na vida dos fissurados, é um dos itens que mais preocupa os pais, pois gera uma série de pensamentos futuros, como preconceito que ele possa passar. A fono como sempre me ajudou com várias dicas, super simples, sem mistério algum: bastante conversa com ele, bastante estímulo para conversar, bastante coisas para ele sugar e alimentos de várias texturas para sempre estimular o paladar dele, e fortalecer os músculos da boca. E uma dica bem legal que tentei desde cedo: dar bebidas no copo com canudinho para ele sugar. Demorou meseeeeees para ele aprender, mas hoje, me dá o maior orgulho ver ele sugando no canudinho. É super difícil para quem nasceu com fenda lábio palatina sugar assim, pois é preciso fechar bem a boca e fazer grandeeeee força de sucção. E já li bastante que o tal do canudinho ajuda bastante na fala.

RESULTADO DISSO TUDO: fomos na consulta de 1 ano e meio no cirurgião, e ele liberou o Théo, ou seja, NÃO PRECISA FAZER ACOMPANHAMENTO COM A FONO, POIS A VOZ DELE ESTÁ ÓTIMA, SEM NENHUMA ALTERAÇÃO, SEM ESTAR ANASALADA.

Não tem coisa melhor, né? Meu filho indo no caminho certo :)

Meu pequenino lábio leporino | Fotos

Vira e mexe, tem gente curiosa em ver fotinhos do Théo quando ainda tinha a fissura no lábio. E querem saber, eu tenho o maior orgulho do mundo de mostrar ele. E vou confessar, muitaaaaas vezes eu mesmo vou lá nas fotos para olhar aquele rostinho tão lindo, com aquele detalhe tão especial para mim. Me acostumei com aquela ‘cortininha’.

Então, para quem quiser ver, este é meu pequeno Théo, e seu lábio leporino:

E agora, esse alemão coisa fofa:

1 ano e 10 meses, e todo sujo de feijão.

1 ano e 10 meses, e todo sujo de feijão.

A primeira mamada na vida do bebê

A amamentação tem todo seu início na primeira hora de vida. É o momento em que o bebê passa por um período de adaptações e de reconhecer o novo mundo, além de trocar o primeiro olhar com sua mãe. Este momento é dividido por alguns estágios tais como choro, relaxamento, despertar, atividades, descanso, tateado, familiarização, sucção e o sono.

O contato pele a pele entre mãe e bebê na primeira hora de vida é mágico, e tem todo um fundamento para estimular a produção e liberação do leite materno o mais precoce possível. O bebê deve ser levado ao corpo da mãe o mais precoce possível após o parto, para que assim seja estimulada a produção hormonal de prolactina e ocitocina para a produção e conseqüentemente a liberação do leite materno do seio para a boca do bebê.

Quando o bebê é  afastado da sua mãe nas primeiras horas de vida, podemos  observar uma certa demora da liberação do colostro e em alguns casos até mesmo dificuldade de se estabelecer o aleitamento materno. Em muitos momentos isso é provocado pelo mecanicismo do momento do nascimento onde as técnicas e rotinas não permitem que o filho seja levado ao corpo de sua mãe. Na primeira hora de vida tanto no parto normal como no parto cesárea deve ser conduzido ao corpo da mãe para sentir seu cheiro e procurar seu alimento, este momento mágico faz com que os dois se conheçam e o corpo da mãe se prepare para fabricar e liberar o leite materno.

Mesmo um bebê fissurado, como o Théo, deve ser conduzido ao seio materno na primeira hora de vida – este processo vai depender em grande parte da qualificação dos profissionais da saúde que estarão acompanhando a mãe e o bebê. O importante deste momento é o contato, o cheiro da mãe e que o bebê passe pelos estágios de adaptação que comentamos no início do post.

Janaína Castagnino Machado Lima | Coisas de Bebê | janainacmlima@pop.com.br

Aleitamento materno - a primeira mamada

Aleitamento materno – a primeira mamada

Imagem Pinterest

Nossa primeira amiguinha – História da Isadora e da mamãe Carina

Hoje vamos estrear esse nosso espaço, mais fofo do mundo, contando a história da pequena Isadora. Ela nasceu com fenda unilateral no lábio, e ainda está se recuperando da cirurgia de correção… Mamãe Carina, estamos aqui na torcida para que dê tudo certo e que vocês tenham muita força para passar por tudo. Ah, a Isadora está uma princesa linda, uma delicadeza… nossa! Vamos à história então :)

Estava eu na ecografia de 20 semanas para saber o sexo do meu bebê. O médico perguntou ‘…com suspense ou sem?’ e eu logo respondi que queria sem suspense: ‘É uma menina’, eu fiquei muito feliz! Muito querido era o médico, que me mostrou os dedinhos, pernas, mãos, cabeça, barriguinha… tudo muito fofo! Ao término do exame, o Dr. largou os aparelhos de ecografia, sentado, com um impulso jogou-se para trás e olhando para mim falou ‘Tenho uma coisa pra falar pra vocês’. Eu estava deitada, por sorte, pois não senti minhas pernas, parece que fiquei anestesiada.

‘Ela tem fenda labial’, ele disse. Eu já sabia o que era isso, tinha visto uma vez um menino com fenda nos dois lados do lábio. Sei que o médico disse algumas coisas, que até hoje não lembro, simplesmente não ouvi mais nada. Saí da  sala de ecografias, e meu mundo desabou, comecei a chorar. E ao contrário de outras mães, passei a gravidez toda chorando.

Tinha dias que pensava ‘por que eu?’, ainda mais que trabalho com bebês recém nascidos. Meu psicológico ficou bastante abalado, mas tinha dias que pensava ‘Carina, existem coisas piores, é só fazer a cirurgia e vai ficar tudo bem…’. Pensava em como ela iria se alimentar ou se iria mamar no peito, e com essa ansiedade engordei 21 quilos. Se eu soubesse que seria tão fácil… Isadora mamou no peito até 4 horas antes da cirurgia. Foram 3 meses e 19 dias.

Pois bem, a cirurgia que achei que não seria tão ruim, foi horrível. Não poder amamentar durante 1 mês, para mim, e principalmente para ela, está sendo muito difícil. Cada hora da mamada, chega a me dar um pavor. Ela chora, tenho que  forçar, e chorando ela vai engolindo. Uso uma seringa com um pedaço de sonda… Tentei de várias maneiras, claro, sem o Dr. saber, mas todas sem sucesso.

O pós cirúrgico também foi muito estressante, quando acordou ela sentia muito dor, então chorou o dia inteiro e a noite. Nós, mães, tiramos forças não sei de onde. Eu tinha vontade de chorar também, porque estava cansada, com o peito duro de tanto leite, mas daí pensava ‘calma ela precisa de ti, força!’. E assim estamos indo, louca que passe esse mês, para introduzir novamente o peito, vai ser outra luta eu acho, mas não desisto. Sinto saudade daquele sorrisinho “rasgadinho”, como diz minha outra filha, mas ela ficou mais linda ainda!

Isadora, antes e agora.

Isadora, antes e agora.

Ensinando o Théo a mamar

Depois que o Théo teve alta da Neo, e foi para o quarto, parecia outra vida. Lá sim eu me sentia mãe, cuidava dele, dava banho e podia passar dia e noite olhando ele :)

Junto com esse alívio vieram algumas preocupações, eu tinha muito medo que ele pudesse se engasgar,  ou que aspirasse leite quando mamasse via oral e não pela sonda. Aos poucos fui aprendendo muitas coisas, que aqui posso destacar:

- todo bebê deve SEMPRE, independente se tem fissura no palato ou não, mamar e permanecer elevado. Nunca deitado reto. Primeiro por que ele pode vomitar e aí sim ir líquidos para o pulmão, e segundo que os bebês possuem a tuba auditiva mais horizontalizada que os adultos, e com isso, o leite pode chegar ao ouvido médio com mais facilidade, causando as famosas otites.

- o Théo sendo um bebê com fissura no lábio e palato, contribui muito para a entrada de ar na hora da mamada. Então eu sempre considerei muito importante deixar ele na posição vertical por alguns minutos até arrotar.

Bom, logo no primeiro dia que ele estava no quarto, as enfermeiras já vieram me ajudar a colocar ele no peito para aprender a mamar direto na fonte. Ele tinha dificuldades para mamar com a sonda, atrapalhava um pouco a respiração e a posição, graças a Deus que a fono autorizou tirar para que pudéssemos testar no peito. E não é que ele mamou, e adorou, logo de primeira? Claaaaaro, que falando assim parece que foi super fácil, mas eu devo comentar que cada mamada era de muito esforço, e me deixava de fato bem cansada – o Théo sendo prematuro e ainda fissurado, contribuíam para que ele não tivesse força para mamar no peito, então, eu tinha que ajudar muito apertando o seio para ele poder sugar o leite. Além disso, depois da mamada no peito, complementávamos com a mamadeira (óbvio, com leite materno, eu tinha leite para abastecer uns dois bebês eu acho).

Nosso anjinho Jana, nos ajudou desde o início na amamentação do Théo.

Nosso anjinho Jana, nos ajudou desde o início na amamentação do Théo. A posição ‘cavalinho’ foi a que mais deu certo para nós.

Mãe de UTI Neonatal

Logo tive a notícia de que o Théo não apresentava nenhuma infecção (pelo fato da bolsa rompida), e estava tudo bem com o pulmãozinho dele. Ufa, dá um alívio sem palavras! Mas mesmo assim, ele teria que permanecer na UTI, eu teria que me acostumar com a rotina de ser ‘mãe de UTI‘.  A notícia de que ele teria que permanecer ainda lá foi péssima para mim, mas os médicos achavam mais seguro que ele ficasse lá, para iniciar a alimentação dele via sonda.

Eu sempre soube de que a alimentação de um bebê fissurado seria diferente. E aqui, estava apenas começando o nosso longo caminho.

Quando cheguei na Neo, ele já estava com sonda no nariz para que pudesse ser alimentado, e um soro na cabeça (muito ruim). Além de outros aparelhos apenas para monitorar saturação, batimentos, e etc. E desde o primeiro dia ele já iniciou as seções de fonoaudiologia, e quanta melhora, nossa! A fono tinha como missão ensinar o nosso pequeno a sugar, tanto chupeta, quanto mamadeira e seio materno. É maravilhoso como pequenos estímulos dão tanto resultado.

Durante todos os horários de visitas na Neo eu estava lá, olhando, segurando e babando no nosso mini. Tão sereno sempre! No terceiro dia de vida, já estávamos tentando dar mamadeira à ele, que não aceitou muito bem logo de cara, por isso a sonda foi mantida. E no quarto dia os médicos decidiram que ele poderia continuar o acompanhamento com a fono no quarto, fugindo de todo aquele ambiente da Neo que para ele não era mais necessário. FESTAAAAAAA, meu amor estava indo para o quarto!

Na neo experimentando vários tipos de chupetas, lindo, né? :)

Na neo experimentando vários tipos de chupetas, lindo, né? :)