Primeiro dia de recuperação – Palatoplastia

Depois que ganhamos alta da recuperação pós cirúrgica, tinha certeza de que as coisas iriam começar a melhorar. E como sempre, me surpreendo. Chegando no quarto, com o Théo em prantos, a enfermeira enroscou o soro do bracinho dele na maca, e acreditem, a mangueirinha do soro arrebentou e começou a voaaaaaaar sangue pelo corredor do hospital… começamos bem :(

Bom, limpamos a bagunça, estabilizamos o soro e eu tentei acalmar o meu pequeno. Ao entrar no quarto mais uma surpresa: vocês conseguem acreditar que meu vizinho de quarto, uma criança de dois anos, estava fazendo uma festinha de aniversário? Com direito a mil visitas? Deixa eu explicar melhor: esta criança estava internada no hospital há mais de um ano, e neste dia era aniversário dele, e então o hospital autorizou que eles recebessem SEIS VISITAS DURANTE O DIA INTEIRO. Sim, o hospital AUTORIZOU que rolasse uma festinha para ele, e colocaram o Théo junto com ele. A situação era desesperadora: durante o dia inteiro ficou rolando festinha e parabéns para o menino ao lado, gritarias e visitas entrando toda hora, as próprias enfermeiras e médicas do hospital entravam gritando, o quarto cheio de salgadinhos, docinhos e torta, toda hora gente entrando para pegar comida, eu chorando junto com o Théo tamanho desrespeito. Eu em toda minha vida sempre fui paciente, mas gente, eu precisava de respeito para meu filho.

As primeiras horas após a cirurgia foram bem difíceis, eu pedi às enfermeiras que dessem 3 vezes morfina para que ele não sentisse dor, ele chorava muito, e eu conheço quando meu filho tem dor. Além disso ele ainda tinha outros remédios para dor, ainda bem, pois só assim ele conseguia dar alguns cochilos, mas não quis mamar e nem comer papinhas nesse primeiro dia. Super compreensível, e como eu já tinha experiência da outra cirurgia, eu mantinha a calma. Agora imaginem vocês, eu tentando ficar calma e cuidar do meu filho, com festa rolando o dia inteiro ao meu lado? O nervosismo tomou conta de mim e do Théo, era uma total falta de respeito o hospital autorizar isto, e ainda colocar a gente nesse mesmo local. As últimas visitas e parabéns ao paciente ao lado foram as 23:30 horas, somente depois disto conseguimos dormir um pouco, mas a noite foi super agitada, acho que o Théo estava estranhando tudo e com muita dor. Algo que também chateou ele foi o soro na mão, pois ele tentava arrancar a toda hora.

As 5 horas da manhã, ele finalmente conseguiu arrancar o soro. Adivinhem? Sangue jorrando para todos os lados, novamente. Felizmente o Dr. Collares autorizou dar os remédios via oral, aí não precisamos mais do soro. Ufaaaaaaa, me deu um alívio enorme, ele pode brincar mais tranquilamente eu fiquei um pouco mais descansada.

E para começar o dia, por que não mais uma trapalhada do hospital? A enfermeira chega no quarto com um papel escrito e grifado: NÃO PODE GELATINA, e na outra mão o que? Um pote de gelatina… Tudo acontece conosco :(

fissurado pela mãe - nao pode gelatina

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