Os primeiros momentos após a cirurgia

Se eu pudesse descrever em apenas uma palavra, seria ‘difícil’. Bem difícil, mas nada além do esperado.

Aproximadamente 10 minutos depois de o médico vir falar comigo, ele já estava acordando da anestesia, e eu já estava lá prontinha para cuidar dele. E como foi aliviante ouvir o chorinho dele vindo pelo corredor… Parecia que ele estava nascendo novamente, foi essa sensação que tive. Que estava conhecendo ele novamente. Há 3 horas atrás meu bebê tinha uma ‘cortininha’ linda na boca, agora, eu olhava para um príncipe lindo, perfeito! Claro que, além daquele rostinho lindo, eu via também o resultado da cirurgia… Que era um rostinho um pouco inchado, os pontos e um pouco de sangue pelo rosto assustavam um pouco. Mas repetindo, tudo que eu já estava esperando ver.

O Théo chorava bastante. Imagina né, era dor, eram pontos, era inchaço, era uma boca diferente, era sangue, era um lugar diferente, era soro, eram aparelhos apitando, fome… Gente, coitadinho, ele estava no direito dele. Nessa hora dei muito amor, fiz muito carinho nele, até cantei no ouvidinho dele para se acalmar, pois nessa hora ainda não podia pegar ele no colo. Depois, no colinho da mamãe foi outra história… Ele se acalmou, ficou bem quietinho, e dormiu um pouco.

E tinha a fome… Bom agora começou outro capítulo. Durante as 3 horas de cirurgia, eu fui até a sala de aleitamento deste hospital para extrair leite para meu bebê, para quando ele acordasse, tivesse a garantia que o leite dele estaria ali. E não estava. As enfermeiras deste hospital não sabiam onde estava meu leite! Acreditem?! Meu filho berraaaaaando de fome, e meu leite perdido por aí. No desespero, peguei um copo de plástico, fui até o banheiro, e tirei manualmente, não podia ver meu filho com fome. Depois pedi uma seringa, e dei para ele. Na verdade, eu estava ensinando as enfermeiras como deveria ser feito, por que elas não faziam ideia de como ele deveria ser alimentado.  Era o instinto de mãe gritando para mim. E assim foi durante as 6 horas na sala de recuperação, eu tirando meu próprio leite em um copo para alimentar meu filho.

E depois no quarto, durante o DIA TODO, depois de eu tirar mais duas vezes na sala de aleitamento, NINGUÉM SABIA ONDE MEU LEITE ERA ARMAZENADO. Meu filho tomou NAN, por que meu leite estava perdido. Bom, aí fiquei indignada e comecei a tirar leite com minha própria bombinha no quarto mesmo, e dava para ele… Por isso eu digo, estejam sempre preparadas, pois as vezes passamos por esses apertos.

A primeira noite foi bem agitada, ele parecia cansado, agoniado… Custou muito a dormir, chorava muito. E eu sozinha no quarto com ele, pois era permitido apenas um acompanhante. E ainda tinha fome, ele estava estranhando muito aquela seringa, e acabava por não tomar nada. Eu rezava, para que aquilo tudo passasse logo…  E tirando essa confusão básica do meu leite, ainda tinha o fato de que 24 horas depois do procedimento, nenhuma enfermeira ainda havia me ensinado como higienizar os pontos dele.

Por fim, o cirurgião resolveu nos dar alta, para que cuidássemos dele em casa. Com toda certeza do mundo, ele ficaria mais calmo em casa.

E quanto alívio entrar no carro, à caminho de casa :)

fissurado pela mãe - pós operatório do théo

fissurado pela mãe - pós operatório do théo 2

4 Comments Os primeiros momentos após a cirurgia

  1. Leandro baum

    Vamos de novo Pri.
    Que passe logo tudo isso..Daqui a algum tempo ..só lembraremos disso .
    O guri é fera ..tira de letra.

    beijo pra voces ..

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  2. carina Barth

    Não me deixaram dar o meu leite pra ela,estava na prescrição médica leite sem lactose . Depois me explicaram que era por causa da gordura do leite humano para não grudar nos pontos.Fiquei 12 horas sem tirar leite eu pedia pra tirar e sempre ouvia “vou ver pra ti”.Voces não imaginam a dor no peito que sentia cheio de leite e minha filha chorando de fome.Ordenhei um pouco com as mãos .A noite liguei pro meu marido trazer minha bomba no outro dia.

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    1. Priscila Baum

      Nossa Carina, sério?
      O Collares sempre me disse que eu podia dar meu leite, fiquei indignada quando perderam… Mas depois eu tirava com a bomba mesmo, e dava no quarto, as enfermeiras nem sabiam eu acho. Mas a gente passa por tanta coisa, né? No fim o melhor é ficar em casa com eles só.
      Um beijo em vocês!

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