O segundo grande desafio do Théo – Palatoplastia

Nosso despertador tocou as 5 horas da manhã, até parece que precisava… Na verdade eu não havia dormido aquela noite. Qual a mãe que consegue descansar e relaxar, sabendo que no outro dia terá que entregar seu filho para uma cirurgia? Pois bem, me levantei, tomei um banho e pegamos o caminho até Porto Alegre, rumo ao hospital. O caminho até lá foi bem tranquilo, Théo continuava dormindo.

Minutos antes de entrar no bloco cirúrgico - o sorriso era de nervosismo

Minutos antes de entrar no bloco cirúrgico – o sorriso era de nervosismo

Quando pisei no hospital, o frio na barriga começou a surgir. Aquele cheiro, aquele ambiente, tudo me incomodava, mais uma vez queria sair correndo. Fizemos os papéis da internação, colocamos a pulseirinha indicando que ele tem APLV e subimos até a salinha de espera do bloco cirúrgico, até que nos chamaram para ‘entrar’ – aquele frio, se tornou um gelo na barriga. Peguei a malinha do Théo, e ele, e entramos junto com a enfermeira. Colocamos nossos trajes especiais do hospital, e enquanto isto a anestesista veio conversar conosco, nos explicou como seria feito o processo anestésico na cirurgia. Não sei se tentam nos acalmar, mas eu ficava cada vez mais nervosa: além de me explicar que ele seria entubado durante a cirurgia, ele sairia de lá já com soro para manipulação dos medicamentos e também com as talas nos braços. E após o procedimento terminar, ela deixaria ele um pouco sedado ainda para que não sentisse tanta dor e ficasse mais tranquilo. Até aqui tudo bem… E aí, ela se levantou e mandou que acompanhasse ela. Não dá para definir essa sensação. Já me levantei com ele no colo chorando, e ele olhando para mim sem entender o por que da minha tristeza – ele sente tudo.

Entrei no bloco cirúrgico com ele no colo, e tive que deitar ele na mesa de cirurgia. Em prantos, segurei ele até que o ‘cheirinho’ da sedação fizesse efeito :( gente, eu me desesperei, eu caí, eu enfraqueci e implorei para que cuidassem dele. Foi horrível, só quem é mãe consegue entender um pouco desse meu sentimento de não querer abandonar ele, mas ao mesmo tempo eu tinha na minha cabeça que eu estava fazendo o melhor por ele… Mas a dor no meu coração foi imensa, ver meu bebê tendo que ser sedado contra a vontade dele.

Eu me senti um pouco mais confortável, mas não conseguia respirar de tanto choro. Precisei de 30 minutos para me acalmar. E mais 3 horas e 23 minutos até que o cirurgião plástico e o otorrino viessem falar comigo  – pareciam uma eternidade. Apenas para relembrar, nesse momento o cirurgião fez a palatoplastia completa e o otorrino recolocou os drenos nos ouvidos. E quando vi esses dois ótimos profissionais abrindo a porta e sorrindo para mim, com um ar de missão cumprida, eu não precisei de mais nada para me aliviar, eles não precisaram pronunciar uma palavra para que eu soubesse que estava tudo bem. A mãe louca aqui por impulso saiu correndo e abraçou essas duas figuras, eles caíram na risada, e tentaram me acalmar, pois finalmente tinha acabado a cirurgia, e ele estava BEM!

Depois de 20 minutos as enfermeiras já me chamaram para que eu fosse ao encontro do Théo na recuperação, meu coração estava disparado de tanta felicidade. Quando encontrei ele, eu já sabia que o meu baby não estaria acordado, mas fiquei bem nervosa ao ver ele sem forças para chorar, sem forças para abrir os olhos ou se mexer. Peguei ele no colo, e confortei ele, conversei muito, cantei e amei ele. Ficamos ali por 3 horas, nessa angústia até ele acordar, pois até esse momento ele só conseguia gemer de olhos entreabertos. Os olhinhos dele tinha algo como uma cola ou algo assim, as enfermeiras me explicaram que eles colam mesmo os olhos durante a cirurgia para não machucar ou atrapalhar de alguma forma. Eu ajudei ele limpando com um pouco de soro, e também lavei os lábios dele com água.

Lá pelas 3:30 da tarde ele acordou (a cirurgia terminou ao meio dia), e finalmente pode tomar um pouco do Neocate. Depois disso, era outraaaaaa vida, ele estava mais calmo e acordado, mas me olhava apavorado pedindo ajuda. E depois de meia hora tivemos alta da recuperação, e fomos para o quarto.

Sem noção do meu alívio ao sair com ele daquele ambiente, qualquer coisa para mim, depois disto, estava bem. Eu estava feliz mais uma vez, com meu filho nos braços!

Théozinho dormindo no pós operatório

Pézinho

5 Comments O segundo grande desafio do Théo – Palatoplastia

  1. Milly Novaes

    Nossa não sei qual a sensação de estar do outro lado, o lado da mãe, mas sei como é acordar e não conseguir abrir os olhos, me sentir meio grogui.
    Parabéns por ser essa forte mamãe e parabéns ao Theo por ser um lindo guerreiro.
    Só uma pergunta??? Ele faz tratamento no Centrinho em Bauru????
    Parabéns bjos Milly

    Reply
    1. Priscila Baum

      Oi Milly, e eu não imagino como é estar do outro lado como você, sentir tudo que vocês sentem. Imagino que deve ser um sofrimento maior que o de mãe, com muita dor e sem entender muito bem o que está acontecendo.
      Nós fazemos o tratamento com o Dr. Collares aqui em Porto Alegre, somos do RS.

      Beijão!

      Reply
  2. Manuella Magalhães

    Revivendo a minha história com meu Dedé! Passei por tudo isso, hoje reconforto as mães, porque tudo passa e nem lembramos mais.

    Reply
  3. Julia

    Só quem já passou por tudo isso sabe realmente como é…pra mim pior parte é quando sai da cirurgia, Vê eles naquele estado ai é horrível..Graças a Deus minha filha esta na fase final…bjs

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>