Um dos grandes desafios da maternidade: amamentação e alimentação

Ontem tive um pedido muito especial de uma mãe, para contar um pouco sobre todo o processo de alimentação do Théo, desde o nascimento. Vamos lá:

Ao nascer – bom, primeiro vou relembrar que ele nasceu prematuro e corria risco de infecção uterina, então os primeiros contatos com o leite materno foi via sonda na UTI, eu odiavaaaa aquilo, mas foi necessário. Logo que ele ficou mais forte, tiramos a sonda e colocamos meu fissurado para mamar no peito. Bem IMPORTANTE salientar: os bebês prematuros, assim como fissurados, não tem força para sugar, então a mamãe deve sim apertar um pouco a mama para que o leite saia mais facilmente. Tinha muitos momentos que ele não queria mamar, pois para ele não era ainda um momento legal. As enfermeiras de aleitamento, sempre me ensinaram a acordar bem o Théo à cada 3 horas, para que isso se torne uma rotina prazerosa para ele. Então, eu acordava, conversava, brincava um pouco, e aí colocava ele para mamar, sempreeeee apertando a mama para que ele sinta bastante leite entrando na boquinha, e que ele entenda que é dali que vem o leitinho, que passa a fome, que sente o cheirinho da mãe… Ah, e eu tentava nos primeiros dias e meses ficar mais sozinha com ele, isso o deixava mais calmo. Tem um texto bem legal aqui no blog, onde a minha amiga Jana, especialista em aleitamento, fala um pouco sobre as principais dúvidas sobre amamentação: pode acessar por aqui.

Depois dos 6 meses – no meio disso tudo, eu tive que tirar o peito pois ele perdia muito peso então optei pela mamadeira… mas após a primeira cirurgia corretiva do lábio leporino, que foi com 4 meses, eu resolvi que tentaria mais uma vez fazê-lo mamar no peito. E CONSEGUI (tem um post que conto bem detalhado como foi essa etapa, aqui). Quem acredita, sempre consegue o que quer: o Théo havia passado 3 meses só com mamadeira, passou pela queiloplastia, ficou 30 dias sem mamadeira, e depois voltou para o peito! Óbvio, foi beeeeem cansativo, eu tinha que me esforçar muito para que ele sentisse prazer em mamar, mas foi algo mágico. Tivemos a ajuda de uma enfermeira especialista em aleitamento e também da fonoaudióloga para fortalecer os músculos da boca. Mas, deu certo!

Com 1 ano – mais uma surpresa, aos 8 meses, ele desenvolveu Alergia à Proteína do Leite de Vaca – APLV, ou seja, não podia tomar leite em pó comum como complemento, e muito menos tomar meu leite sem que eu fizesse a dieta de exclusão da proteína. Quero relembrar que até aqui, ele nunca havia tomado leite em pó, desde que nasceu eu tirava leite materno a cada 3 horas para ele, somente leite materno foi o que ele tomou até então. Mas ok, aprendi a conviver com mais esse desafio, aprendi várias receitas sem leite, e bola pra frente. Sempre prezei muito as frutas e alimentação saudável, inclusive tive a ajuda da minha querida nutróloga para me dar dicas de pratos legais para ele.

Eu sentia que meu filho sempre achava que o momento de comer era ruim, e que a boca era um local de dor, e era afinal, mas agora, eu vejo que ele adora comer, adora sentar e fazer isso sozinho até. Por isso sempre repito: mãe deve insistir muitoooooo, acreditem, eu cheguei a levar quase 2 horas um dia para ele almoçar todo o prato de comida, e era preciso pois não tinha muito peso. E outro conselho que sempre dou: utilizem de todos os especialistas possíveis: o Théo tinha acompanhamento com gastro, nutróloga infantil, fono… Hoje posso dizer que a alimentação dele está nota DEZ!

Meu pequenino lábio leporino | Fotos

Vira e mexe, tem gente curiosa em ver fotinhos do Théo quando ainda tinha a fissura no lábio. E querem saber, eu tenho o maior orgulho do mundo de mostrar ele. E vou confessar, muitaaaaas vezes eu mesmo vou lá nas fotos para olhar aquele rostinho tão lindo, com aquele detalhe tão especial para mim. Me acostumei com aquela ‘cortininha’.

Então, para quem quiser ver, este é meu pequeno Théo, e seu lábio leporino:

E agora, esse alemão coisa fofa:

1 ano e 10 meses, e todo sujo de feijão.

1 ano e 10 meses, e todo sujo de feijão.

E vamos ao Neocate, a melhor notícia para os APLV’s

fissurado pela mãe - neocate APLV

Neocate, a salvação para APLV

Pois bem, meu filho tem alergia à proteína do leite de vacaAPLV. Vida de mãe é sempre surpreendente, né? Não queria acreditar que eu tinha mais um grande desafio pela frente, mas por um lado, eu estava bem feliz por ter descoberto o motivo de tanto incômodo. Eu já havia comentado anteriormente, mas o Théo nos últimos tempos estava vomitando MUITO, estava com a pele muito feia, e o  pior dos sintomas era o emagrecimento… Olhar para ele tão magrinho, me deixava bem triste :(

Mas vamos lá. A alimentação dele passou a ser somente o tal do Neocate, um viva à esse leite! Apesar de gosto e cheiro ruim, e também o preço caríssimo, ele fez um bem enorme ao Théo, já que ao final da primeira semana de tratamento ele já havia diminuído bastante os vômitos.

Afinal, o que é esse Neocate? Não dá para ser chamado de leite, eu acho… ele é uma fórmula não alergênica, à base de aminoácidos livres (a menor porção de uma proteína), super eficaz  nos casos de alergia alimentar, como APLV. Ou seja, a salvação para casos como o do Théo, ele não gostava muito desse leite, mas tomava o necessário. Bola para frenteeeeeee, agora vai engordar, e se Deus quiser, as coisas vão se ajeitar. E era tãoooo bom olhar para ele e ver que estava engordando, com uma carinha de bebê saudável.

fissurado pela mãe - engordando

Mais uma descoberta na vida do Théo – APLV

Com a significante perda de peso do Théo, começamos então a complementar com leite em pó… Aí as coisas desandaram de vez.

Meu baby de uma hora para a outra começou a vomitar tudo o que tomava, e além disso a pele dele se encheu de alergias, pareciam quase uns cortes em todas as dobrinhas, comecei a ficar desesperada sem saber o que fazer. Pensamos que poderia ser o leite, demos leite de soja para ele, demos leite anti-refluxo, mas nada adiantava… Os vômitos e a pele estavam cada vez pior.

Por sorte nossa, levei o Théo no plantão médico por um quadro de gripe, e quem nos atendeu foi uma gastropediatra. De cara ela olhou para ele, e nos questionou por que ele era tão magro, perguntou a história dele (loooonga história), examinou, pesou. E disse ‘mãe, ele está muito magro, está sem massa muscular.’ Mais uma vez, as palavras cortaram meu coração. Ela continuou o discurso, dizendo que ela desconfiava de alergia alimentar, que foi confirmada depois de exames: o Théo tem alergia à proteína do leite de vaca – famosa APLV :(

Mais um susto, mais uma novidade, mais uma luta.

A troca do leite teria que ser imediata, e se eu quisesse continuar amamentando, eu teria que entrar na dieta junto com ele. Começamos então eu e ele, a nova dieta, eu cortando todas as proteínas do leite da minha alimentação e ele trocando para o Neocate. E começa uma nova batalha…

Na consulta aguardando os exames ficarem prontos.

Na consulta aguardando os exames de APLV ficarem prontos.

Perdendo peso novamente…

Eu já havia comentado aqui que o Théo nunca foi muito bom quanto ao ganho de peso, quando recém nascido nos deixou bastante preocupados.

Bom, depois da cirurgia, aos poucos começamos a voltar a nossa rotina. Depois de um mês da queiloplastia, ele pode voltar a usar chupeta e também mamadeira, e o mais importante que contei também em outro post: meu ex-lábio leporino estava mamando no peitoooooooo :D Eu estava plena de felicidade.

Mas no nosso caminho, nem tudo são rosas… Depois de um mês mamando no peito, estávamos na consulta de rotina na nossa pediatra, quando ela pesou ele. Ele havia perdido 600 gramas. Isso mesmo, numa fase que o bebê deveria engordar em torno de  800 gramas por mês, ele havia perdido peso… Mais uma vez. Foi mais um balde de água gelada em mim. Eu sempre achei que estava fazendo as melhores escolhas por ele, mas nesses momentos me questionava sobre tudo isso, afinal, por que ele perdia peso, se estava mamando tão bonito no peito. Aí então a nossa pediatra nos relembrou que ele faz um grande esforço para mamar, já que ele ainda tinha fissura palatina, ele fazia uma força enorme para que o leite saísse do meu peito. E provavelmente todo esse esforço não estava sendo legal para ele, pois estava emagrecendo. Começamos então a complementar com mamadeira de leite em pó :(

Ele aceitou super bem o leite em pó, sempre foi muito bonzinho.  Bom, mesmo eu sendo contra, mais uma vez eu tinha que colocar a saúde dele em primeiro lugar, para ele naquele momento era necessário o leite em pó, estava muito magro e com pouca massa muscular. Vamos lá então, agora achava que finalmente iria engordar melhor.

Era muito ruim olhar para ele e vê-lo assim tão magrinho…

fissurado pela mãe - perda de peso

E com 5 meses, eu quero ensinar meu filho a mamar no peito

Será que dá?

Passados os 30 dias da cirurgia, aquele meu sonho de amamentar o Théo permanecia forte! E por que não? Agora a boca dele estava perfeita, então ele poderia aprender a mamar na mamãe, e eu sempre tive muito leite – lembram, né,  que comentei que ele nunca mamou leite em pó, só leite materno que eu tirava para ele a cada 3 horas.

Com a ajuda do nosso anjo, minha amiga especialista em amamentação, Jana, começamos essa nova etapa. Ela veio aqui em casa, e achamos a melhor posição para que ele pudesse começar. Sentado, na posição cavalinho, ele estava dando as primeiras sugadas… As lágrimas escorriam de emoção, ele estava gostando gente! Claro, parecia estar estranhando aquilo tudo, já que sempre ganhou leite na mamadeira, sem precisar fazer muito esforço… Mas estava gostando, imagina, o leite dele, na temperatura ideal, e o melhor, ele poderia mamar o quanto quisesse. Que poder maravilhoso. Eu e a Jana combinamos então que todo dia íamos nos ver ou nos falar para acompanhar a amamentação do Théo.

Aos poucos ele estava aprendendo, mas ele ainda era muito fraco para mamar sozinho, eu ainda precisava fazer muita força com as mãos para que o leitinho caísse na boca dele… Era um processo bem cansativo, mas valia cada segundo. Meu coração de mãe batia cada vez mais forte! E para ajudar ele, fizemos algumas seções de fonoaudiologia, assim ele teria cada vez mais força nos músculos da boca e rosto. E gente, isso é super importante, nós mamães precisamos estar sempre atentas aos sinais que os nossos babies nos dão… Afinal eu já havia percebido que ele não tinha força, então optamos pela fono, que foi super legal. Além de ajudar ele a mamar, ele também estava aprendendo a segurar a chupeta na boca.

Agora, eu podia dizer com o maior orgulho do mundo: EU INTRODUZI A AMAMENTAÇÃO PARA O MEU FILHO DE 5 MESES. Não é mágico? Tudooooo é possível quando queremos fazer algo, e tudo vale a pena pelos nossos pequenos anjos. Aos 5 meses, conseguimos que meu filho aprendesse a mamar no peito, com muito esforço e insistência, mesmo nascendo com lábio leporino, mesmo nascendo prematuro, mesmo passando por cirurgia… CONSEGUIMOS!

Será que vou ter leite?

Hoje temos uma novidade muito legal por aqui: teremos aqui periodicamente uma especialista em aleitamento materno, nos ajudando com este assunto tão importante na vida do baby e da mamãe. Ela é a Jana, grande amiga minha e enfermeira especialista em aleitamento materno, há alguns anos realiza consultoria para mamães e bebês no pós-parto imediato, e um grande auxílio na rotina e cuidados com o bebê. E o assunto de hoje não poderia ser melhor, que é a introdução ao aleitamento materno… Vamos à leitura?

O aleitamento materno tem influências, hormonais, emocionais e culturais. Por este motivo, nos geram muitas dúvidas e inseguranças se teremos leite ou não para alimentar o baby, mas toda mãe  é capaz de produzir leite. Em alguma situação muito especial, onde a mãe tem alguma necessidade de ficar separada, devemos estimular a mama para manter a produção de leite, como a extração manual ou mecânica. E claro, com uma alimentação, hidratação e repouso adequado da nutriz.

O aleitamento materno é um momento mágico na vida de uma mãe, principalmente sendo ela de ‘primeira viagem’… Agora se imagine cheia de dúvidas e inseguranças: – Meu bebê vai ficar separado de mim? Eu vou ter leite? Será que ele vai sugar? Estas são  perguntas comuns para qualquer mãe, sem comentar em quem já sabe que seu baby será um ‘fissurado‘. Muitas destas respostas você vai ter já na instituição que escolheu para dar a luz ao seu bebê, e o importante disso tudo, é ter ao seu lado a família para apoiar e um profissional capacitado para orientar e acompanhar o aleitamento materno nos primeiros dias de vida do seu bebê.

Em alguns momentos por baixo peso, adaptação respiratória, prematuridade ou alguma intercorrência gestacional, o bebê pode ter a  necessidade de ser conduzido a UTI Neonatal para estabilização (no caso do Théo devido à leve prematuridade). Nesta situação que mãe e bebê precisam ser separados por um período, temos a necessidade de começar a estimular o aleitamento materno o mais precoce possível, com a extração manual ou mecânica (nos primeiros dias a Pri utilizou a extração mecânica com o vacuômetro ainda na internação hospitalar). Este leite extraído é conduzido ao bebê e oferecido através da sonda nasogástrica, até apresentar uma melhora no quadro clínico, adquirir um peso ideal ou semana gestacional adequada para ser conduzido com sucesso e segurança ao seio materno.

Janaína Castagnino Machado Lima | Coisas de Bebê

janainacmlima@pop.com.br

Aprendendo a mamar – mais uma vez

O caminho do hospital para casa foi o mais tranquilo possível, acho que só nesse momento ele conseguiu descansar depois da cirurgia. Ele dormiu tão amado, tão sereno, e eu aproveitei e tirei o atraso do sono também.

Essa primeira semana depois da queiloplastia foi uma superação de desafios, uma atrás da outra. Começamos pelo mais básico: mamar. A condição que ele saiu do hospital, ele não queria de jeito nenhum, ele teria que tomar leite pela seringa, para que de jeito nenhum os pontos fossem machucados. Não podia usar mamadeira… E cada vez que ele via aquela seringa, ele ficava nervoso, e chorava muito. Eu contei com a ajuda de muita gente, minha família foi bem importante. Quando eles chegavam na minha casa, o Théo ficava distraído, e tomava um pouco de leite,  mas bem pouco.

Lá pelo terceiro dia me bateu um desespero, pois ele deveria mamar 120 mls a cada 3 horas, e não tomava nem 30mls. E ainda tinham as talas nos braços, que irritavam demais. Mas o médico insistia que não tinha jeito, eu não poderia dar  mamadeira de jeito nenhum… Eu testei outras formas, algumas funcionavam por um tempo. Testei com copo, com colher, e até uma mamadeira que tem uma colher na ponta.

A forma que mais deu certo, que vou compartilhar aqui com vocês,  foi usar a própria mamadeira dele. Isso mesmoooo. Mas vou explicar: lembram daquele bico especial para lábio leporino, que eu contei que ele sempre usou? Então, eu botava o leitinho dele na mamadeira, e sem encostar na boquinha dele, fazia alguns jatos de leite lá  dentro. E assim, lentamente, ele mamava. Acho que o cheirinho da mamadeira dele e a quantidade de leite que saia, ajudava para que ele mamasse mais tranquilamente.

E finalmente, passados 10 dias, fomos tirar os pontos, que foi super tranquilo. Não demorou 20 minutos para ver aquele rostinho cada vez mais lindo, sem pontos. À partir daqui, acreditei que as coisas começariam a melhorar a cada dia. Ficou lindo, né?

Meu Théo, depois de tirar os pontos. Não é por que sou mãe dele, mas é um bebê tão charmosooooo :)

Meu Théo, depois de tirar os pontos. Não é por que sou mãe dele, mas é um bebê tão charmosooooo :)

Os primeiros momentos após a cirurgia

Se eu pudesse descrever em apenas uma palavra, seria ‘difícil’. Bem difícil, mas nada além do esperado.

Aproximadamente 10 minutos depois de o médico vir falar comigo, ele já estava acordando da anestesia, e eu já estava lá prontinha para cuidar dele. E como foi aliviante ouvir o chorinho dele vindo pelo corredor… Parecia que ele estava nascendo novamente, foi essa sensação que tive. Que estava conhecendo ele novamente. Há 3 horas atrás meu bebê tinha uma ‘cortininha’ linda na boca, agora, eu olhava para um príncipe lindo, perfeito! Claro que, além daquele rostinho lindo, eu via também o resultado da cirurgia… Que era um rostinho um pouco inchado, os pontos e um pouco de sangue pelo rosto assustavam um pouco. Mas repetindo, tudo que eu já estava esperando ver.

O Théo chorava bastante. Imagina né, era dor, eram pontos, era inchaço, era uma boca diferente, era sangue, era um lugar diferente, era soro, eram aparelhos apitando, fome… Gente, coitadinho, ele estava no direito dele. Nessa hora dei muito amor, fiz muito carinho nele, até cantei no ouvidinho dele para se acalmar, pois nessa hora ainda não podia pegar ele no colo. Depois, no colinho da mamãe foi outra história… Ele se acalmou, ficou bem quietinho, e dormiu um pouco.

E tinha a fome… Bom agora começou outro capítulo. Durante as 3 horas de cirurgia, eu fui até a sala de aleitamento deste hospital para extrair leite para meu bebê, para quando ele acordasse, tivesse a garantia que o leite dele estaria ali. E não estava. As enfermeiras deste hospital não sabiam onde estava meu leite! Acreditem?! Meu filho berraaaaaando de fome, e meu leite perdido por aí. No desespero, peguei um copo de plástico, fui até o banheiro, e tirei manualmente, não podia ver meu filho com fome. Depois pedi uma seringa, e dei para ele. Na verdade, eu estava ensinando as enfermeiras como deveria ser feito, por que elas não faziam ideia de como ele deveria ser alimentado.  Era o instinto de mãe gritando para mim. E assim foi durante as 6 horas na sala de recuperação, eu tirando meu próprio leite em um copo para alimentar meu filho.

E depois no quarto, durante o DIA TODO, depois de eu tirar mais duas vezes na sala de aleitamento, NINGUÉM SABIA ONDE MEU LEITE ERA ARMAZENADO. Meu filho tomou NAN, por que meu leite estava perdido. Bom, aí fiquei indignada e comecei a tirar leite com minha própria bombinha no quarto mesmo, e dava para ele… Por isso eu digo, estejam sempre preparadas, pois as vezes passamos por esses apertos.

A primeira noite foi bem agitada, ele parecia cansado, agoniado… Custou muito a dormir, chorava muito. E eu sozinha no quarto com ele, pois era permitido apenas um acompanhante. E ainda tinha fome, ele estava estranhando muito aquela seringa, e acabava por não tomar nada. Eu rezava, para que aquilo tudo passasse logo…  E tirando essa confusão básica do meu leite, ainda tinha o fato de que 24 horas depois do procedimento, nenhuma enfermeira ainda havia me ensinado como higienizar os pontos dele.

Por fim, o cirurgião resolveu nos dar alta, para que cuidássemos dele em casa. Com toda certeza do mundo, ele ficaria mais calmo em casa.

E quanto alívio entrar no carro, à caminho de casa :)

fissurado pela mãe - pós operatório do théo

fissurado pela mãe - pós operatório do théo 2

E lá vamos nós… Primeira cirurgia corretiva

No dia anterior ao procedimento, enquanto arrumava a nossa malinha para o hospital, derramei várias lágrimas. Era um estranho sentimento de querer que tudo aquilo passasse logo, junto com uma vontade imensa de fugir com filho e não aparecer no hospital… Uma coisa muito sufocante, pensava que parecia até injusto ele ter que passar por tudo isso, as vezes até me culpava. Mas eu acredito que todos aqui na Terra tem alguma missão: a minha era cuidar dele e proteger ele até onde puder, eu tenho certeza disso; e a dele era iluminar a minha vida e me ensinar a passar por tudo isso junto com ele, nos ensinar a ser fortes, e nos ensinar que temos que sempre escolher o que for  melhor para ele. E a cirurgia, era o melhor para ele, eu não tinha opção, mesmo negando – enquanto escrevo, caem algumas lágrimas.

Na mala, algumas trocas de roupa,  não muitas já que ele deveria ficar apenas um dia internado. E muito importante: nessa primeira cirurgia separei somente roupinhas com abertura na frente, para que não machucasse os pontos do rosto de jeito nenhum. Coloquei junto meus amuletos de sorte, meu São Jorge guerreiro e meu escapulário, me sentia mais segura.

O post hoje é grande, viu? Chegando lá, dei a última  mamadeira antes do procedimento (seriam 3 horas de jejum), e lá ficamos aguardando até que nos chamaram… A cada passo, o frio na barriga aumentava. Quando entramos somente eu e o Théo na salinha do pré-operatório, aí sim tremia muito. À partir dali era só comigo, eu deveria ficar com ele, e depois levar ele até a sala da cirurgia. Tirei a roupinha dele, coloquei um fofíssimo avental de bebês, e ele aliviava tudo isso rindo muito para mim, ele sentia o meu nervosismo e acho que tentava amenizar.

Depois da anestesista e assistente virem nos dar as instruções, não demorou muito e a enfermeira veio nos buscar… Eu não queria soltar ele. Mas eu deveria fazer isso, levei ele no meu colo até a sala, e lá fiquei, até que a anestesia fizesse efeito. Chorando muito. Pedi que me tirassem de lá, não poderia mais ficar em pé…

Enquanto esperava as 3 horas de procedimento, me agarrei no meu São Jorge, na minha família… Foram minutos muito difíceis, talvez os piores da minha vida. Mas não vou me estender contando essa parte angustiante, e vamos direto para a parte em que o cirurgião, nosso anjo, veio sorrindo nos dizer que acabou, e ELE ESTÁ BEM! Meu deus… nunca pulei tanto, abracei o médico. Consegui respirar novamente. Agora era só esperar eu poder receber ele na recuperação, e dar todo amor e carinho que ele merecia!